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Emaús, o Caminho da Vida

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1 Emaús, o Caminho da Vida em Qui 3 Abr - 4:09

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No Evangelho de S. Lucas, após a ressurreição de Jesus Cristo, aparece-nos uma passagem com os chamados discipulos de Emaús (Lc 24,13-35). Nesta passagem dois individuos caminham para Emaús, desalentados com o que viram em Jerusalém. Ambos tinham vivido muita coisa bonita com o seu Mestre, e com Ele tinham aprendido um sentido novo de existência mas as suas esperanças estavam em que fossem libertados do jugo romano e agora o seu Mestre estava morto. Eis que surge um estranho no meio deles e pergunta o que se passa. Os discipulos muito admirados por o outro desconhecer os acontecimentos explicam que Jesus havia morrido. Está claro que este estranho era o próprio Jesus e sem se dar a conhecer começou a explicar as escrituras, renovando o alento daqueles discipulos ao ponto que na hora da despedida eles pediram que ficasse utilizando esta maravilhosa expressão: «Ficai connosco, Senhor, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus ficou e ao partir do pão deu-se a conhecer deixando os discipulos entre surpresos e arrependidos: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?».

Esta é uma das passagens mais bonitas dos Evangelhos e aborda o ser humano na sua profundidade face ao mistério de Jesus Cristo. Jesus pregava a vida em abundância, uma vida plena em que o amor é o grande condutor, uma vida plena em sentido, fonte de água viva. Nós hoje também temos as escrituras que nos ensinam esta nova vida e que nos explicam de que forma Deus se faz presente na nossa vida do dia a dia, mas tal e qual como os discipulos de Emaús tambem não reconhecemos a Sua presença, somos cegos muitas vezes, não vimos ou não queremos ver. Aqueles discipulos estavam amedrontados e este seu medo impedia-os de ver a verdade, de sentir plenamente o sentido da vida ensinado por Jesus, mas o desespero que sentiam continua alastrado pelo mundo. Quantas vezes não somos nós como eles, Deus faz-se sempre presente na nossa vida mas muitas vezes não O queremos ver, porque não acreditamos no poder da vida sobre a morte e acabamos por cair no desespero. Acabamos por abraçar uma vida de morte assente de que é preciso aproveitar enquanto cá estamos e que de nada nos serve aprender o caminho ensinado por Jesus Cristo ou pelo amor, ou pela religião. Eu sei lá se há vida depois da morte, para quê lutar por ideais quando isto tudo tem um fim e acaba. Desalentados baixamos os braços e acabamos por abraçar uma vida egoista, sem grande doação. O que nos vai segurando num caminho de luz, muitas vezes é a familia, o desejo de ter filhos e o amor que temos dentro de nós, mas hoje em dia há muita gente que já nem pensa em casamento e em filhos, diria que são cada vez mais.

A Humanidade vive o desalento dos discipulos de Emaús de forma cada vez mais profunda, às tantas já nem queremos reconhecer a verdade, a nossa unica verdade é que não vale a pena uma vida de amor, de entrega, de doação, este tipo de vida é cada vez mais uma coisa de doidos e sem sentido, já que o que é preciso é aproveitar a vida ao máximo, beber uns copos, dar umas "kecas" e curtir a vida, enquanto cá estamos. Este desalento fecha-nos dentro de nós mesmo e impossiblita-nos a chegada ao amor, um amor maior, mais verdadeiro, mais autêntico, mais fonte de vida. Os tempos que correm são tempos de morte, de descrença, do não reconhecimento de Deus na vida, no dia a dia. As escrituras já não nos dizem nada e para o nosso novo estilo de vida é preferivel não acreditar num Jesus ressuscitado pois a fonte da nossa vida tornou-se o desespero do medo da morte.

Eu sinto este desalento todos os dias, também eu caminho desalentado com a vida, muitas vezes porque quero e porque assim posso curtir a vida, ainda assim isto é tudo para acabar então há que aproveitar.

Mas no Evangelho Jesus deu novo alento aos discipulos, de que afinal Deus é um Deus vivo e existe esperança. Começou a fazer-se luz no coração dos discipulos, uma luz tão forte que acabaram por pedir que aquele estranho ficasse, afinal a maior das alegrias está no amor, mesmo que acabamos por perecer com a morte, a maoir das alegrias está em amar e só neste amor podemos ter uma vida autêntica, mesmo que seja finita, mesmo que acabe um dia.

É então que à mesa Jesus parte o pão e naquele partir do pão se revela, operando novo milagre naqueles discipulos. Os discipulos passam a ver porque ficam com o coração cheio de esperança e de amor e após Jesus desaparecer soltam este desabafo: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho
e nos explicava as Escrituras?». É assim a nossa vida, deixamo-nos abater por uma miséria existêncial de que nada vale a pena e muitos sinais nos são dados em contrário mas muitas vezes preferimos viver no desespero, porque ele é fonte de um vida vivida pelo prazer, egoista, centrada nas nossas alegrias mudanas. Não queremos ver e mesmo com os sinais que nos são dados continuamos a não querer ver, fechados no nosso egoismo mesquinho. Reflitamos neste Evangelho e procuremos em que momentos da vida mais se Deus se faz presente, e sobretudo neste Domingo vamos à missa e no momento da consagração olhemos o pão elevado no alto e reconheçamos o próprio Jesus que nos quer ensinar, que nos quer falar, que nos quer dar vida em abundância!

Paz!

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