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A Biblia,nós que somos a Igreja e Jesus Cristo

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A Bíblia é a palavra inspirada de Deus, escrita pelos santos homens de Deus,
movidos pelo Espírito Santo. Por isso, devemos aceitar a infalibilidade das
Escrituras como nosso guia de conduta e doutrina.

O Evangelho de hoje (João 13,16-20) convida-nos a repensar a nossa forma de
nos situarmos, quer na sociedade, quer dentro da própria comunidade cristã.
A instrução de Jesus aos discípulos que o Evangelho nos apresenta é uma
denúncia dos jogos de poder, das tentativas de domínio sobre os irmãos, dos
sonhos de grandeza, das manobras para conquistar honras e privilégios, da
busca desenfreada de títulos, da caça às posições de prestígio… Esses
comportamentos são ainda mais graves quando acontecem dentro da comunidade
cristã: trata-se de comportamentos incompatíveis com o seguimento de Jesus.
Nós, os seguidores de Jesus, não podemos, de forma alguma, pactuar com a
“sabedoria do mundo”; e uma Igreja que se organiza e estrutura tendo em
conta os esquemas do mundo, não é a verdadeira Igreja.

Os discípulos relutavam em aceitar que o Mestre Jesus lhes lavasse os pés.
Este gesto foi interpretado como uma quebra de hierarquia e esvaziamento da
autoridade. É que eles pensavam a sociedade organizada em camadas sociais,
sobrepostas segundo a importância de cada uma, num sistema de precedências e
privilégios.

Jesus recusou-se a pactuar com esta mentalidade, oferecendo-lhes pistas para
compreenderem a realidade de maneira diferente. Ele parte do princípio que
"o servo não é maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele
que o enviou". Isto vale tanto para o Mestre quanto para os discípulos.

Entretanto, trata-se de saber que senhor é aquele que enviou Jesus, segundo
a afirmação do Mestre. Sem dúvida, ele está falando do Pai, que fez de Jesus
servo e enviado, e que acolhe também os discípulos do Filho como servos e os
envia em missão. Se é possível falar em hierarquia, convém saber que só
existe uma: a que sobrepõe Deus ao ser humano, o Criador à sua criatura.
Além desta, qualquer tentativa de classificar as pessoas em mais ou em menos
importantes será sem cabimento. Quem se imagina superior aos demais está
usurpando o lugar de Deus. Só ele é o Senhor; todos nós somos irmãos e
irmãs.

Jesus terminou de lavar os pés de seus discípulos e quer explicar a eles o
que realizou, citando um provérbio conhecido: “Não é o servo maior que seu
senhor nem o enviado mais do que quem o envia”. Com este provérbio os
convida a seguir seu comportamento. Ser senhor significa servir e estar
disposto a dar vida por amor, porque no amor o ser humano alcança a
verdadeira vida, sua plenitude. Não é o poder o que faz feliz, senão o amor.
Não é ser superior senão ser igual: Jesus nos chama a isso. Lamentavelmente
dentro do grupo de Jesus há um – Judas – que não está disposto a seguir este
caminho e elegeu o amor ao dinheiro mais que a adesão a Jesus e a sua
mensagem de amor.

Jesus ensinou sobre a humildade, dizendo que aquele que servia aos outros,
era o maior de todos e que dali em diante deviam lavar humildemente os pés
uns aos outros; tocou ainda na discussão sobre qual deles havia de ser o
maior, dizendo muitas coisas que se encontram também no Evangelho. Ele é o
maior exemplo de alguém que serviu a Deus. Ele próprio afirmava, que não
fazia nada por Ele mesmo, a não ser o que o Pai lhe indicava. Todos, os que
temos conhecimento de Deus, sabemos que Jesus teve que se abnegar a sua vida
para pôr em prática o plano do Pai. A abnegação foi difícil, ele teve que
passar por injúrias, vergonha, chicotadas e crucificação.

Nesta perspectiva, o gesto de humildade de Jesus é perfeitamente
compreensível. Ele agiu como servo, por ser servo. E, como ele, todos devem
agir, pois também são servos. Portanto, o gesto de Jesus só é
incompreensível para quem não pensa como Deus cujo objetivo principal é que
todos possam viver com Ele na eternidade. Contudo, antes mesmo da vinda de
Cristo ao mundo, Ele sabia que nem todos aproveitariam esta oportunidade.
Que muitos iriam desprezar a obra que seu Filho ia fazer na cruz. No
entanto, grande parte das escrituras do velho testamento relatam e apontam o
interesse por parte de Deus, para este plano de salvação mediante Cristo.

“Quem recebe a qualquer um que eu enviei, recebe a mim, e quem recebe a mim,
recebe aquele que me enviou”. Jesus e Deus se manifestam em quem acolhe o
outro. Não há melhor expressão de igualdade: receber a um enviado de Jesus é
como recebê-lo, e recebê-lo é como receber a Deus. Se seus enviados põem em
prática sua mensagem de amor, quando estes forem recebidos, estarão
refletindo o estilo de vida de Jesus, e vendo o estilo de vida de Jesus
poderão entender melhor que Deus é também amor e quer a solidariedade e o
serviço para experiência de amar e ser amado. Jesus efetua uma inversão
total da concepção tradicional de Deus e, em conseqüência, de sua relação
com o ser humano e das pessoas entre si. Contra tudo o que ensinava as
religiões, Jesus revela que o atributo principal de Deus não é o poder,
senão o amor, doador de vida. E se Deus, o Pai, não exerce domínio, nenhum
poder nem domínio humano está legitimado. De fato, a idéia de um Deus
soberano, com seu trono no céu, fundava o paradigma das grandezas humanas;
os mais poderosos entre os humanos criam ser os que mais se pareciam com
Ele. Mas, com Jesus, Deus deixou seu trono; manifesta-se como amor ao
serviço de cada um (como lavando os pés). A palavra “servir” significa:
estar ao serviço de; consagrar-se ao serviço de; viver como servo.

Nós que nos consideramos discípulos de Jesus e queremos cumprir o plano de
Deus, temos que ter consciência que a palavra serviço é a base para tudo.
Dizer, que se é discípulo, mas continuar a ter uma vida baseada nas mesma
vida antes de se conhecer e aceitar Jesus, é estar em desacordo com a
palavra de Deus, em renunciar o mundo e as suas paixões.
Jesus é claro. Ele
deu o exemplo. Perdeu a sua vida. Todos nós que queremos ser discípulos de
Jesus, devemos renunciar as coisas do mundo e andar em novidade de vida.
Devemos servir a Deus com intensidade, com amor, com vida, renunciando o
pecado, murmurações, pensamentos da velha vida. Neste sentido, a frase final
do Evangelho de hoje: "[...] quem receber aquele que eu enviar estará também
me recebendo; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou.", própria dos
evangelhos sinóticos, identifica o missionário com Jesus e o Pai.

"Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do
egoísmo que nos fecha no nosso Eu. É parar de dar volta ao redor de nós
mesmos como se fossemos o centro do mundo e da vida. É não se deixar
bloquear nos problemas do pequeno mundo a que pertencemos: a humanidade é
maior. Missão é sempre partir, mas não devorar quilômetros. É, sobretudo,
abrir-se aos outros como irmãos, descobri-los e encontrá-los. E, se para
descobri-los e amá-los, é preciso atravessar os mares e voar lá nos céus,
então missão é partir até os confins do mundo". (Dom Hélder Câmera)


A Páscoa de Jesus convida-nos, pois, a renovar nossa condição de povo de
Deus. Então, se nós vamos chamar a gente o povo de Deus, se a gente responde
ao chamado de Deus para ser “o povo de Deus”, temos que apreender a viver em
solidariedade uns com os outros e com todos os povos de Deus em todo o mundo
e com a Criação. Qualquer coisa menor vai, sem dúvida nenhuma, trazer o
julgamento de Deus sobre nós como Nação, como “povo” desobediente. Que Deus
tenha misericórdia de nós e nos mostre o sentido de solidariedade no mundo
de hoje. Para isso, é imperativo que reconheçamos o valor de uma alma
humana, para que nunca desistamos de um de Seus preciosos filhos.
Oração: Ó Deus, que restaurais a natureza humana, dando-lhe uma dignidade
ainda maior, considerai o mistério do vosso amor, conservando para sempre os
dons da vossa graça naqueles que renovastes pelo sacramento de uma vida:
Inculcai em nossos corações a certeza de que só tu és Senhor, e que entre os
seres humanos deve reinar igualdade e solidariedade, sem opressão.Por nosso
Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.



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