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São João da Cruz

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1 São João da Cruz em Dom 9 Mar - 5:04

[Oração da Alma enamorada]



Senhor Deus, amado meu!

se ainda Te recordas dos meus pecados,

para não fazeres o que ando pedindo faz neles,

Deus meu, a Tua vontade,

pois é o que eu mais quero,

e exerce neles a Tua bondade e misericórdia

e serás neles conhecido;

e, se esperas por obras minhas,

para, por meio delas, me concederes o que Te rogo,

dá-mas Tu, e opera-as Tu por mim,

assim como as penas que quiseres aceitar e faça-se.



Mas se pelas minhas obras não esperas,

porque esperas, Clementíssimo Senhor Meu?

Porque tardas?

Porque, se, enfim, há-de ser graça e misericórdia

o que em Teu filho Te peço,

toma os meus parcos haveres pois os queres,

e dá-me este bem, pois que Tu também o queres.



Quem se poderá libertar dos modos e termos baixos

se não o levantas Tu a Ti em pureza de amor,

Deus meu?

Como se elevará a Ti o homem gerado e criado em baixezas,

se Tu o não levantares, Senhor, com a mão com que o fizeste?



Não me tirarás, Deus meu,

o que uma vez me deste em Teu único Filho Jesus Cristo,

em quem me deste tudo quanto quero;

por isso folgarei pois não tardarás,

se eu confiar.



Com que dilações esperas,

se desde já podes amar a Deus em teu coração?



O céu é meu e minha a terra;

minhas são as gentes,

os justos são meus e meus os pecadores,

os anjos são meus e a Mãe de Deus,

e todas as coisas são minhas;

e o próprio Deus é meu e para mim,

porque Cristo é meu e todo para mim.

Que pedes pois e buscas, alma minha?

Tudo isto é teu e tudo para ti.



Não te rebaixes,

nem atentes nas migalhas caídas da mesa de teu Pai;

sai de ti e gloria-te da tua glória;

esconde-te nela e goza, e alcançarás o que pede o teu coração.



(S. João da Cruz)
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CANÇÕES

Em que canta a alma a ditosa ventura que teve
em passar pela noite escura da fé,
na desnudez e purificação de si mesma,
à união com o amado.

1. Em uma noite escura,
De amor em vivas ânsias inflamada,
Oh! ditosa ventura!
Saí sem ser notada,
Já minha casa estando sossegada.

2. Na escuridão, segura,
Pela secreta escada disfarçada,
Oh! ditosa ventura!
Na escuridão, velada,
Já minha casa estando sossegada.

3. Em noite tão ditosa,
num segrêdo em que ninguém me via,
Nem eu olhava coisa,
Sem outra luz nem guia
Além da que no coração me ardia.

4. Essa luz me guiava
Com mais clareza que a do meio-dia,
Aonde me esperava
Quem eu bem conhecia,
Em sítio onde ninguém aparecia.

5. Oh! noite que me guiaste,
Oh! noite mais amável que a alvorada;
Oh! noite que juntaste
Amado com amada,
Amada já no Amado transformada!

6. Em meu peito florido
Que inteiro só para Ele se guardava,
Quedou-se adormecido...
E eu, terna, O regalava,
dos cedros o leque O refrescava.

7. Da ameia a brisa amena,
Quando eu os seus cabelos afagava,
com sua mão serena
Em meu colo soprava,
meus sentidos todos transportava.


8. Esquecida, quedei-me,
rosto reclinando sôbre o Amado,
Cessou tudo e deixei-me,
Largando meu cuidado
Por entre as açucenas olvidado.

S.João da Cruz

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